quarta-feira, 29 de outubro de 2008

a ousadia da esperança

Tive que entrar para contar do sonho tão louco que me acometeu esta madrugada.

Entre os milhares de detalhes sórdidos e inexplicáveis, o mundo tinha se tornado um lugar onde as pessoas precisavam escolher se queriam reproduzir ou se queriam criar filhos. Algumas pessoas queriam reproduzir, daí se especializavam nisso e reproduziam aleatoriamente, porque trabalhavam como profissionais do sexo ou da indústria do cinema pornô. Outras pessoas queriam criar filhos, então começavam a se preparar desde muito pequenas para educar filhos. Havia uma coisa chamada O Baú, que cada pessoa que optava por criar filho tinha que ter. N'O Baú, ficavam todas as coisas que a pessoa tinha aprendido, era como um curriculum vitae enorme e impossível de transportar. Tinha meninas de seis anos que já tinham sido consideradas aptas pela análise do seu Baú, e estavam criando filhos de terceiros, que eram profissionais do sexo e da indústria do cinema pornô.

Cabe dizer, em defesa do meu inconsciente, que o cenário disso tudo era um mundo que tinha se acabado. Não havia mais livros, filmes, discos, computador. Não havia mais comida, não havia mais nada, só uma areia amarela e seca. Muito poucas pessoas tinham sobrado. Muito pouco acesso ao conhecimento tinha restado. Então as pessoas remanescentes resolveram se agrupar e produzir pessoas de uma forma taylorista, que é a narrada acima.

Tem toda uma história investigativa de uma moça em busca de sua misteriosa identidade, que é a linha condutora do sonho, ou seja, o sonho serviu como entretenimento também - embora um entretenimento com excesso de emoções, não precisava tanto. Mas a ousadia da esperança, expressão usada pelo prefeito reeleito Fogazza, acontece no final do sonho e aparentemente não tem nada a ver com a produção de seres humanos em série. É que no final do sonho começam a chegar pessoas numas barracas de feira, como aquelas que este município aqui construiu nos arredores do mercado público dessa cidade. As pessoas trazem hortifrutigranjeiros. Num mundo onde até então só havia areia amarela e seca e onde as pessoas se viam forçadas a comer outras pessoas, hortifrutigranjeiros são a própria ousadia da esperança. A esperança de não ser comido, de não se ver obrigado a comer o semelhante e sobretudo a esperança da restauração da vida, de que até mesmo o que passa pela mais séria hecatombe é capaz de se regenerar.

Ou isso ou o sonho é um aviso peremptório do meu corpo, POR FAVOR, VIRE VEGETARIANA.

2 comentários:

Lívia Araújo disse...

Wow.
Me fez lembrar, muito apropriadamente, "Os Filhos da Esperança", com o Clive Owen. Eu adoro essas ficções findimundistas.

E o coiso diz "torige", que pode ser alguma coisa relativa ao sonho.

Vica disse...

Eita, me ganhou nos sonhos doidos... bah, eu adoraria virar vegetariana, mas churrasco é tão bom... consegui passar 6 meses sem carne na vida, e deu.